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Como a compra de material de construção influencia na economia da obra?

A compra de materiais de construção desempenha um papel central no controlo de custos e no sucesso financeiro de uma obra. Sabia que os materiais podem representar até 60% do orçamento total de um projeto? Além disso, más decisões na aquisição podem levar a desperdícios, atrasos e custos adicionais.

Aqui estão os principais pontos a ter em conta:

  • Impacto nos custos: Escolher materiais apenas pelo preço mais baixo pode gerar problemas futuros, como baixa qualidade ou atrasos.
  • Gestão de stocks: Falhas no planeamento resultam em desperdício e custos com armazenamento ou falta de materiais.
  • Planeamento e tecnologia: Ferramentas digitais ajudam a prever necessidades, gerir stocks e evitar perdas.

Conclusão: Uma gestão eficaz da aquisição de materiais, aliada ao uso de tecnologia, reduz custos, melhora a eficiência e evita problemas financeiros no projeto.

Impacto dos Materiais de Construção no Orçamento e Desperdício em Obras

Impacto dos Materiais de Construção no Orçamento e Desperdício em Obras

Como a Aquisição de Materiais Afeta os Orçamentos dos Projetos

Os Custos com Materiais Representam a Maior Parte dos Orçamentos de Construção

Os materiais de construção podem consumir entre 50% e 60% do orçamento total de um projeto, dependendo do tipo de edificação. Este peso financeiro faz com que a gestão de materiais seja um elemento crucial para o sucesso económico de qualquer obra. Aliás, cerca de 80% do processo construtivo está diretamente ligado à gestão de materiais, o que significa que qualquer falha nesta área pode ter um impacto significativo no desempenho geral do projeto. Esta relevância torna essencial compreender os desafios associados à seleção de fornecedores e ao momento ideal para realizar as encomendas.

Quando a gestão de materiais é ineficaz, surgem custos ocultos que vão muito além do preço inicial de compra. Estes custos incluem capital preso em stocks excessivos, atrasos no cronograma e despesas adicionais relacionadas com a necessidade de localizar materiais desorganizados no estaleiro.

Problemas Comuns na Aquisição: Timing e Escolha de Fornecedores

Escolher os fornecedores errados ou falhar no timing das encomendas pode causar desvios orçamentais significativos. Projetos que se baseiam exclusivamente no critério de preço mais baixo frequentemente enfrentam resultados financeiros inferiores quando comparados com aqueles que consideram múltiplos fatores na avaliação. Ignorar aspetos como fiabilidade de entrega, qualidade dos materiais e flexibilidade do fornecedor pode sair caro.

Além disso, encomendar materiais demasiado cedo pode levar a custos de armazenamento desnecessários e capital imobilizado. Por outro lado, atrasos nas encomendas podem provocar rupturas de stock, paralisando a obra e gerando custos adicionais com mão-de-obra parada, que podem aumentar os custos operacionais em cerca de 15%. Para evitar estes problemas, é essencial adotar um planeamento cuidadoso e implementar tecnologias que melhorem a rastreabilidade dos materiais.

Desperdício de Materiais e Má Gestão de Stocks

A má gestão de materiais também contribui para um elevado desperdício. Na construção, o desperdício de materiais pode representar entre 10% e 30% dos resíduos enviados para aterros. Encomendas em excesso, armazenamento inadequado e falta de rastreabilidade são causas comuns de perdas financeiras. Materiais danificados por condições climáticas, perdidos por desorganização ou até roubados devido à falta de controlo são exemplos de custos evitáveis.

Uma gestão eficiente de stocks, com registos precisos e planeamento adequado antes da chegada dos materiais, pode minimizar estes problemas. Além disso, acidentes relacionados com o manuseamento de materiais e equipamentos, como gruas, representam cerca de 6% dos custos totais de um projeto. Estes incidentes não só impactam a segurança dos trabalhadores, mas também geram custos adicionais com seguros, interrupções no trabalho e atrasos no cronograma, comprometendo a viabilidade financeira da obra.

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Como Otimizar a Aquisição de Materiais e Reduzir Custos

Gerir a aquisição de materiais de forma eficiente é essencial para manter o orçamento da obra sob controlo e evitar surpresas desagradáveis. Estratégias como planear cuidadosamente, estabelecer boas parcerias e consolidar encomendas podem fazer uma grande diferença no fluxo de caixa e na viabilidade financeira do projeto.

Planear e Calendarizar as Compras de Materiais

Um planeamento bem estruturado é a base para evitar desperdícios e custos desnecessários. Ao integrar o cronograma físico-financeiro, é possível alinhar as fases do projeto, prever o fluxo de caixa e ajustar as necessidades de materiais ao progresso da obra. Comprar apenas o necessário em cada etapa evita custos com armazenamento e possíveis deteriorações.

Para organizar as compras e entregas, é útil criar um cronograma de suprimentos com diferentes horizontes: estratégico, médio e imediato. Antes de qualquer aquisição, faça um levantamento detalhado das quantidades necessárias, considerando as especificações técnicas e os projetos arquitetónicos, estruturais, hidráulicos e elétricos.

Com um planeamento sólido, é possível também fortalecer as relações com fornecedores, otimizando ainda mais os custos.

Construir Relações de Confiança com Fornecedores

Avaliar os fornecedores vai além do preço. Uma abordagem de "Sourcing Beyond Price" analisa fatores como a fiabilidade das entregas, a flexibilidade nos volumes de encomenda e a qualidade dos materiais, impactando diretamente a eficiência do projeto e os custos operacionais. Parcerias baseadas no conceito "ganha-ganha" podem garantir melhores condições de pagamento e prioridade em períodos de escassez.

Um exemplo prático vem da Vetter Empreendimentos, uma construtora de Santa Catarina, Brasil, que em 2025 integrou os departamentos de engenharia, compras e finanças. Essa integração eliminou compras de emergência, permitindo negociar prazos de pagamento mais longos e facilitar adiantamentos para fornecedores através de fintechs. Isso possibilitou a gestão simultânea de vários projetos e um crescimento acelerado.

Além de boas parcerias, consolidar encomendas é outra forma eficaz de poupar.

Consolidar Encomendas para Reduzir Custos

Agrupar encomendas pode resultar em descontos por volume e redução de custos administrativos. Ferramentas de e-procurement ajudam a cortar despesas em até 3%.

Para materiais de grande volume ou importância estratégica, como cimento e aço, contratos de longo prazo com preços pré-negociados oferecem estabilidade e garantem entregas prioritárias. Classificar os materiais com a metodologia ABC - que separa itens por valor económico e frequência de consumo - ajuda a identificar quais devem ter controlo rigoroso (categoria A) e quais podem ser geridos com maior flexibilidade (categoria C). Ferramentas como o Assistente de vendas MAGO tornam esse processo mais simples, permitindo obter orçamentos de diferentes fornecedores, verificar stocks e coordenar entregas de forma eficiente. Isso facilita a gestão de compras consolidadas e reduz os custos de forma significativa.

Utilizar Tecnologia para Melhorar a Aquisição de Materiais

A tecnologia está a transformar a forma como a aquisição de materiais é gerida na construção civil. Ferramentas digitais estão a substituir métodos manuais, como folhas de cálculo Excel, por processos automatizados que reduzem erros e melhoram a eficiência. Estas plataformas não só eliminam falhas de rastreabilidade como também ajudam a cortar custos. Por exemplo, o uso de sistemas de e-procurement pode levar a uma diminuição de mais de 3% nas despesas, sem comprometer a qualidade dos materiais.

Acompanhar Stocks e Preços em Tempo Real

Ter acesso a informações em tempo real sobre stocks e preços dos fornecedores é uma vantagem estratégica. Com sistemas integrados à Internet das Coisas (IoT), é possível automatizar requisições de compra quando os níveis de inventário atingem o limite mínimo. Isso garante que a obra mantém o ritmo sem interrupções.

Este tipo de tecnologia é vital em períodos de instabilidade, como o que ocorreu após a pandemia de COVID-19 e o conflito na Ucrânia. Durante este período, Portugal implementou o regime de "Revisão Excecional e Temporária de Preços" (Decreto-Lei 36/2022) para contratos onde os materiais representavam mais de 3% do valor total e registaram aumentos anuais superiores a 20%.

Além disso, a integração da Modelação de Informação da Construção (BIM) com plataformas de aquisição permite extrair automaticamente especificações e quantidades de modelos 3D. Um exemplo prático foi o teste realizado pela Universidade de Lisboa entre 2014 e 2015 na renovação do Liceu Passos Manuel, onde a plataforma PLAGE demonstrou como o BIM pode garantir a integridade da informação e automatizar processos ao longo do ciclo de vida do projeto.

Automatizar Tarefas de Aquisição

A automação de tarefas repetitivas, como a geração de orçamentos, aprovação de faturas e coordenação de entregas, é outro avanço importante. Ferramentas de automação de processos robóticos (RPA) aceleram o ciclo de aquisição, permitindo que as equipas se concentrem em decisões estratégicas.

Soluções baseadas em inteligência artificial também têm um papel crucial. Estas tecnologias analisam dados históricos de cotações e desempenho de fornecedores, ajudando a identificar os parceiros mais adequados para cada projeto. Um exemplo é o Assistente de vendas MAGO, que facilita a obtenção de orçamentos, verifica stocks e coordena entregas, eliminando a necessidade de contactos manuais frequentes.

Conectar a Aquisição com Sistemas de Gestão de Obra

Integrar plataformas de aquisição com sistemas de planeamento de projetos e ferramentas financeiras oferece uma supervisão mais eficaz. Esta ligação garante que as entregas de materiais estão alinhadas com o cronograma da obra, evitando atrasos e custos adicionais de armazenamento.

A centralização de dados num único sistema, como um ERP, cria um ambiente partilhado para pedidos de materiais e comunicações com fornecedores. A interoperabilidade entre sistemas é essencial para evitar desperdícios e ineficiências. Adotar padrões abertos como o IFC (Industry Foundation Classes) permite que os dados fluam facilmente entre arquitetos, empreiteiros e fornecedores, promovendo uma gestão mais integrada e ágil em todas as fases do projeto.

Com estas tecnologias, a aquisição de materiais torna-se mais eficiente, reduzindo erros e custos enquanto melhora a coordenação geral do projeto.

Controlar Stocks e Reduzir Desperdícios em Obras

Uma gestão eficaz de stocks, aliada à redução de desperdícios, é essencial para reforçar a eficiência financeira em obras. Quando o inventário é bem gerido, evitam-se custos desnecessários. Estudos mostram que cerca de 30% do peso total dos materiais entregues numa obra acaba por ser descartado. Este desperdício traduz-se numa perda financeira significativa, que pode ser minimizada com práticas adequadas de controlo e armazenamento.

Utilizar Sistemas de Rastreamento de Inventário

Sistemas de rastreamento no estaleiro ajudam a identificar rapidamente materiais em excesso ou em falta. Ferramentas como códigos de barras e etiquetas RFID são eficazes para reduzir erros humanos no registo de entradas e saídas.

Um exemplo interessante é o da Dodson Wholesale Lumber, que adotou o sistema Epicor WMS e conseguiu aumentar a produtividade em 50%. Este sistema eliminou a necessidade de contagens manuais, automatizando o controlo de inventário. Além disso, definir limites mínimos de stock que ativam automaticamente novas encomendas evita interrupções no trabalho e reduz o risco de sobre-armazenamento.

Depois de garantir a precisão dos registos, o foco deve estar no armazenamento e manuseamento corretos para preservar os materiais.

Armazenar e Manusear Materiais Corretamente

O armazenamento inadequado é uma das principais causas de deterioração de materiais. Para evitar perdas, armazene os materiais em condições apropriadas, protegendo-os de intempéries e mantendo-os afastados do solo para evitar humidade e degradação.

É importante organizar materiais semelhantes juntos para facilitar o acesso, mas substâncias reativas ou inflamáveis devem ser armazenadas separadamente para evitar acidentes. Também é essencial respeitar os limites de peso indicados nas embalagens, prevenindo colapsos estruturais e danos em itens frágeis. A aplicação da metodologia 5S (Organizar, Arrumar, Limpar, Normalizar e Sustentar) ajuda a manter o espaço de trabalho funcional e reduz o tempo perdido à procura de materiais.

Com um armazenamento adequado, torna-se mais fácil identificar materiais que já não são úteis e eliminá-los de forma eficiente.

Eliminar Materiais Obsoletos e Reduzir Desperdícios

Auditorias regulares são fundamentais para identificar materiais obsoletos ou em excesso. Negociar programas de devolução com fornecedores, como para azulejos ou isolamentos, pode reduzir os custos de descarte.

Outra solução é a simbiose industrial, que consiste em vender ou doar materiais excedentes para outros projetos ou lojas locais. Além disso, criar zonas de segregação de resíduos no estaleiro, com separação clara para madeira, metal, betão e gesso cartonado, facilita a reciclagem. Materiais recicláveis mantêm maior valor e podem ser vendidos a recicladores locais. Em países como a Noruega, regulamentações exigem que 70% dos resíduos de construção sejam reutilizados ou reciclados, estabelecendo um excelente exemplo de gestão sustentável.

Conclusão

A aquisição de materiais tornou-se um elemento estratégico crucial para a eficiência financeira das obras. Como vimos ao longo deste artigo, a forma como estas aquisições são geridas pode ser o fator decisivo entre o sucesso e o fracasso de um projeto.

Este papel estratégico requer uma transformação digital que renove práticas e melhore resultados. Bruno de Carvalho Matos, Engenheiro Civil e especialista em Gestão de Projetos de Construção, destaca que os gestores de projeto têm a responsabilidade de liderar a construção de um setor mais sustentável e resiliente, tirando partido das oportunidades oferecidas pela transformação digital na construção. Este tema ganha ainda mais relevância num cenário em que as autoridades públicas da União Europeia investem cerca de 2,5 biliões de euros por ano - aproximadamente 15% do PIB - em bens, serviços e obras.

A adoção de práticas modernas de aprovisionamento, como um planeamento mais rigoroso e o uso de tecnologia para monitorizar materiais em tempo real, ajuda a reduzir o desperdício que ainda é comum em muitas obras. Soluções como fórmulas de ajuste de preços baseadas no BoQ e sistemas digitalizados permitem gerir melhor as flutuações de mercado. Ferramentas como o Assistente de vendas MAGO tornam este processo mais eficiente, reunindo orçamentos, comparando fornecedores e coordenando entregas numa única plataforma.

Mais do que uma questão de redução de custos, investir em práticas modernas e na transformação digital significa criar valor sustentável. Processos mais eficientes, relações de confiança com fornecedores e decisões fundamentadas em dados concretos são o caminho para um futuro mais sólido e competitivo.

FAQs

Como escolher fornecedores sem olhar só ao preço?

Para seleccionar fornecedores de materiais de construção, é importante ir além do simples preço. Avalie fatores como a qualidade dos materiais, a fiabilidade do fornecedor, a capacidade de cumprir prazos de entrega e o suporte técnico oferecido. Também vale a pena considerar a reputação no mercado, as condições de pagamento oferecidas e práticas que respeitem critérios sustentáveis. Fazer uma escolha criteriosa ajuda a construir parcerias sólidas e eficientes, assegurando melhores resultados para o seu projeto.

Quando devo encomendar materiais para evitar atrasos e armazenamento?

Para garantir que a obra decorra sem atrasos, é fundamental encomendar os materiais com antecedência suficiente para que estejam disponíveis no momento certo. Tenha em conta o tempo necessário para entrega e transporte ao planear, mas evite acumular materiais em excesso no local. Isso ajuda a reduzir custos e minimizar desperdícios, promovendo uma gestão mais eficiente e organizada.

Que tecnologia é mais eficaz para controlar stocks e desperdícios?

A gestão de stocks e desperdícios na construção pode ser bastante melhorada com o uso de sistemas como o MRP (Planeamento de Recursos de Material) e o WMS (Gestão de Armazém). Estas ferramentas permitem centralizar informações em tempo real, o que facilita tanto as previsões como o controlo de materiais, ajudando a evitar excessos e a reduzir o desperdício.

Outra solução eficaz é o BIM (Building Information Modeling), que promove uma gestão mais colaborativa e detalhada. Este método permite planear e executar projetos com maior precisão, otimizando recursos e diminuindo custos desnecessários, ao mesmo tempo que reduz significativamente os desperdícios.